Criando facilmente a sua nuvem pessoal

“Aqui você vai aprender como finalmente colocar sua nuvem pessoal para te servir, com dois excelentes softwares, ambos com muitos recursos, semelhante a serviços como Dropbox, Box ou Google Drive”

Por Ricardo

Todos nós gostamos das conveniências trazidas pela internet às nossas vidas. Informações mais rápidas e disponíveis em qualquer lugar. Arquivos pessoais não precisam ficar limitados ao seu computador de casa e todas as novas interações sociais podem ocorrer em tempo real, independente da distância.

A internet trouxe muita praticidade e alguns problemas pelo caminho. Modelos de negócios foram se formando e se firmando em torno da web, que passou de um local de livre acesso a informações a uma “vitrine” global onde as empresas expõem seus produtos e marcas, e detalhe: de acordo com seus dados de navegação.

E, se esses inúmeros serviços exigem que você troque sua privacidade por praticidade para ter apenas os anúncios relevantes, não iria demorar muito para que governos fizessem uma manobra semelhante. E eles fizeram e ainda fazem. E há bastante tempo.

O mais recente desses casos é a descoberta do PRISM, um programa do governo norte-americano que monitora a comunicação de internet de diversos países. Nem empresas escaparam dessa espionagem, como a Microsoft, que inclusive colaborou com o PRISM em alguns momentos fornecendo dados do Hotmail e Skype de seus usuários.

A NSA, Agência de Segurança Nacional dos EUA, conseguiu hackear servidores do Google e do Yahoo, obtendo informações sem que estas empresas soubessem o que estava acontecendo. Não só a privacidade do navegante de internet está em jogo como seus gostos, sites visitados etc., fornecendo informações para propagandas, mas também a sua vida é passível de espionagem.

Independente se essas grandes empresas citadas colaboraram ou não com o PRISM, você pode se proteger ou, ao menos, aumentar a dificuldade para “eles” saberem sobre sua vida. Se você usa serviços como o Dropbox, Box, Skydrive, GoogleDrive entre outros, não precisa deixar de usá-los.

Mas os seus dados mais sensíveis ou simplesmente os arquivos que você tem no PC podem ser acessados da sua própria nuvem, totalmente privada, sem ficar à mercê de escutas intergovernamentais. Aqui você vai aprender a criar a sua nuvem facilmente, acessível de qualquer lugar e gerenciada por você.

A melhor parte é que você não precisa de conhecimentos avançados em programação. Toda a infraestrutura já está pronta e é gratuita. Tudo o que você precisa é preparar o ambiente que será usado para hospedar essa nuvem na sua máquina. Seguindo esses tutoriais aqui você encontra informações de como fazê-lo.

Instalando e configurando a sua nuvem

Vamos apresentar aqui duas opções de softwares que permitem criar uma nuvem privada. A escolha de qualquer uma destas soluções é inteiramente pessoal e, inclusive, você poderá usar as duas simultaneamente se preferir. A escolha do sistema operacional também é ao gosto do cliente, visto que as plataformas exigem apenas um servidor web instalado e funcional.

No entanto, optar por um sistema Linux é mais cômodo por motivos de segurança e atualização. As distribuições Linux possuem gerenciadores de pacotes que mantêm o sistema e os programas atualizados, o que permite obter e instalar automaticamente versões com correções do servidor Apache (o recomendado neste tutorial).

O sistema operacional Linux também possui compatibilidade com diversos sistemas de arquivos diferentes, inclusive alguns específicos para usos com certos tipos de arquivos hospedados, oferecendo maior vantagem e segurança. O Windows só fornece suporte ao reconhecimento de apenas dois sistemas de arquivos, o FAT e o NTFS, e isso é um tanto limitante.

Se você costuma trabalhar com grandes volumes de dados, incluindo a exclusão e movimentação, pode encontrar um gargalo de performance ao longo do tempo devido à inevitável fragmentação de disco dos sistemas Windows. Já em plataforma Linux, você poderia optar por sistemas de arquivo do tipo XFS, ReiserFS e até o famosos Ext4 que o sistema operacional reconheceria sem problemas, de forma transparente e sem fragmentação evidente.

Mas se você não exige alta performance ou mesmo está mais habituado ao ambiente Windows, sua nuvem funcionará também. Atente para outros pontos. É interessante ressaltar que o importante aqui é saber um pouco sobre redes, servidor Apache ou ter perseverança em pesquisar alguma necessidade em fóruns, sites e blogs em caso de algum problema de compatibilidade com alguma atualização do Windows.

Opção 1: Owncloud

O Owncloud fornece uma estrutura pronta para uso de uma nuvem para ser usada por empresas ou usuários, interessados em ter total controle sobre seus dados e recursos dessa nuvem. Não são necessários muitos conhecimentos para gerenciá-la, possuindo uma interface web-based muito bem construída e fácil de usar.

Comece obtendo o Owncloud para Windows ou Linux. Para Windows, você deve extrair o arquivo compactado para um diretório da sua escolha. Já para Linux, você tem opção de pacotes para diversas distribuições diferentes, inclusive com repositórios para algumas delas. Isso mantém o Owncloud atualizável via Gerenciador de Pacotes da sua distro.

Instalação no Windows

Após descompactado o pacote, o resultado será uma pasta chamada Owncloud. Tudo o que você tem a fazer é mover essa pasta para dentro do diretório público do seu servidor web Apache. Esse diretório encontra-se no local de instalação do Apache, em “htdocs”. Apenas copie. Depois disso, basta reiniciar o servidor Apache pelo monitor, localizado ao lado do relógio do Windows.

Instalação no Linux

Baixe o pacote para a sua distribuição. A maioria das distribuições permitem instalação com um clique sobre o pacote. Caso haja link para repositório, você poderá inseri-lo e atualizar a lista de softwares. Depois, é só buscar “owncloud” na ferramenta de gerenciamento de pacotes.

Embora seja possível também a instalação manual através do arquivo compactado, devido às diferenças na forma como são direcionados os diretórios de instalação do Apache, MySQL e PHP nas distros, a distribuição de alguns arquivos de configuração deverá ser feita manualmente, bem como a definição de permissões. Na dúvida, consulte o manual do projeto aqui.

Acessando o Owncloud

Abra o navegador de internet, digite o endereço http://localhost/owncloud e aguarde o reconhecimento. Você verá uma tela com configuração inicial para definição de senha e usuário. Crie o primeiro usuário, que será o “administrador”, e uma senha forte (segura).

Pronto. Após o primeiro acesso, você já poderá desfrutar de todo o poder da nuvem. Comece movendo alguns arquivos para fazer um teste. Também é possível criar outros usuários para usarem a nuvem, cada qual sem interferir com o usuário e arquivos dos outros.

Os poderes de cada usuário simples são limitados, diferentemente do primeiro que foi criado e possui poderes administrativos. Esses poderes administrativos permitem a gerência de contas, ativação ou desativação de recursos por meio de plugins, entre outros.

Bônus: o Owncloud possui ainda clientes para rodar em máquinas ligadas a rede ou à internet, com um funcionamento similar ao programa e serviço Dropbox. Ou seja, ele mantém os arquivos sincronizados que estão disponíveis na sua nuvem e o acesso é imediato. Também possui um aplicativo para Android. Você pode obter o cliente para sua plataforma ou aplicativo para Androidaqui.

Opção 2: Ajaxplorer

Assim como o Owncloud, comece baixando o pacote para o seu sistema operacional aqui. Se estiver usando uma distribuição Linux Debian ou baseada, como o Ubuntu ou Linux Mint por exemplo, opte por adicionar o repositório e manter o software atualizado automaticamente pelo Gerenciador de Pacotes.

Na página, após clicar no nosso botão de download, você vai verificar outras formas de instalação para outras distribuições, bem como as instruções. Para usuários do Windows, a instalação deverá ser feita manualmente. Ao clicar no botão “Click Here” no site do projeto, em “Manual Installation”, um frame “pergunta” se você deseja assinar a lista de discussão. Basta recusar, como mostra a imagem abaixo.

Procure baixar o pacote “pydio-core-5.0.x.zip” (ZIP). Basta descompactar o pacote e movê-lo para o diretório público do Apache, o “htdocs”. O nome que será usado para acesso deverá ser o nome do diretório que conterá os arquivos do Ajaxplorer. Optamos por renomear o diretório para facilitar o acesso.

Abra o navegador de internet e digite no campo de endereço: http://localhost/ajaxplorer (substitua “ajaxplorer” por outro nome que você tenha dado, inserindo-o após o localhost/). É possível que, para o primeiro acesso, você se depare com um “erro” como na imagem abaixo.

No entanto, é bem simples de corrigir. Apenas clique em “index.php”. A seguinte tela irá se apresentar, tratando-se de um guia para correção desses erros.

Basta clicar em “click here to continue to Ajaxplorer” ou em “Run Wizard” (dependendo da versão). Você será levado para um pequeno guia de configuração, como na imagem abaixo.

Siga os passos de configuração criando uma senha para o primeiro usuário (Administrador), outros usuários que queira adicionar (é possível fazer isso depois em Configurações) e as outras opções de acordo com suas necessidades.

Pronto. Realizado isso, sua nuvem com Ajaxplorer já estará pronta para uso. O software possui uma área com plugins onde você pode definir vários parâmetros configuráveis de funcionamento da sua cloud. Após configurada, basta explorar todo o potencial da ferramenta. O Ajaxplorer também conta com um aplicativo para Android, que você pode conferir aqui.

Aumentando o limite de upload

Existe apenas uma limitação, que poderá ser facilmente corrigida. Existe um limite de uploud de arquivos para o servidor. Quem gerencia esse limite não é o Owncloud ou o Ajaxplorer, mas uma dependência dele: o PHP. Para aumentar o limite, você precisa abrir o arquivo “php.ini”.

Geralmente esse arquivo encontra-se no Windows onde você efetuou a instalação do servidor PHP. Em distribuições Linux, é comum encontrá-lo no diretório /etc, contudo, o diretório onde reside esse arquivo pode variar. É necessário fazer uma busca por “php.ini”.

Abra o arquivo de texto com um editor de textos simples, como o Bloco de Notas do Windows ou outro equivalente no Linux, como o Gedit ou KWrite. Procure pelas linhas:

post_max_size

upload_max_filesize

Você deverá colocar o valor máximo para os arquivos, limitando com isso o envio de material muito grande por outros usuários que poderiam consumir com o espaço em disco. Se isso (espaço em disco) não for um problema, você poderá colocar o valor zero (0), deixando sem qualquer limite de tamanho. Agora, aproveite a sua nuvem.

Acessando sua nuvem na rede ou internet

Para conseguir acessar a interface web da nuvem dentro de sua rede interna, ou seja, com máquinas conectadas ao seu roteador, em vez de http://localhost você deverá usar o endereço IP do servidor. Nesse caso, o mais indicado é inserir um IP fixo para o server Owncloud ou Ajaxplorer e deixá-la ligada o tempo todo, caso você precise fazer um acesso a qualquer hora do dia.

Por exemplo, se o IP da máquina servidora (aquela que instalou o Owncloud ou Ajaxplorer) for 192.168.0.10, basta que outras máquinas da rede usem o endereço http://192.168.0.10/owncloudou http://192.168.0.10/ajaxplorer para obter acesso. O mesmo deve ser definido nos clientes para desktop do Owncloud, apontando para o endereço IP do servidor.

Se você deseja acessar o servidor pela internet, deverá usar algum serviço do tipo DynDNS, que possui clientes para diversos sistemas operacionais. Muitos roteadores modernos possuem acesso ao No-IP ou DynDNS configurável via interface web para o roteador. Esses serviços permitem que você saiba o IP público de sua rede (ou da sua conexão de casa) para que possa acessar remotamente.

Geralmente as conexões para pessoas físicas possuem distribuição de IP dinâmico. Isso significa que, a cada vez que você desliga e liga o roteador ou modem, ele assume outro IP público. Então, você não tem referência para acesso remoto, pois o IP pode estar diferente. Nesse caso, você precisa conhecer o IP da sua rede de casa para realizar o acesso. O No-IP e o DynDNS informam o IP da sua conexão sempre que o IP mudar.

Para verificar se o seu roteador ou modem possui o recurso embutido, abra o navegador e acesse o endereço do seu aparelho. Para descobrir, basta acessar as configurações de rede do Windows e o endereço do roteador será o mesmo que aparece em “Gateway”. No Linux, tanto em “Informações de Conexão” do NM quanto pelo comando no terminal “route -n”, embaixo de “Roteador”, você obtém o IP do gateway.

Copie o endereço IP do gateway e jogue na barra de endereços do navegador web. O sistema pedirá um usuário e senha. Se você nunca configurou isso, o acesso é o padrão. Basta consultar o manual do seu roteador para saber qual é. Alguns logins comuns usados pelos fabricantes, na ordem usuário e senha, são:

admin – admin;

admin – (sem senha);

admin – root;

user – (sem senha);

(sem usuário) – admin;

Administrador – admin

Esses são os mais comuns dos roteadores vendidos no Brasil. Se não conseguir acesso, consulte o manual do fabricante. E, claro, mude a senha do roteador assim que possível. Após acessar seu roteador, você deverá procurar uma opção com o termo DDNS. Cada fabricante adota uma interface diferente assim como a localização desta opção. Seguem alguns exemplos abaixo para servir de referência.

Caso seu roteador não possua essa opção, a melhor forma é usar o cliente para a sua plataforma do No-IP ou DynDNS ou algum outro serviço semelhante. E para finalizar, você deverá buscar a opção “Redirecionamento de Porta” ou “Port Forwarding” no roteador ou modem, onde você deverá preencher a porta para o valor 80 e direcioná-la para o IP da máquina servidora. Nesse caso, ela deve estar configurada para manter um IP fixo.

Considerações finais

Ter a sua nuvem pessoal te possibilita maior controle sobre seus dados. Ambos aceitam recursos de criptografia SSL na conexão para evitar interceptação de acesso, que pode ser ativado nas configurações de cada serviço. Você também pode instalar essas duas soluções apresentadas e usá-las simultaneamente.

Ambas as soluções oferecem recursos interessantes, como consumo de mídia via stream (é possível ouvir seus arquivos de áudio), calendário, gerenciamento de contatos e compartilhamento de arquivos mesmo para quem está de fora da nuvem (que não possui um login) tal qual o Dropbox, que é referência nesse meio. É possível até realizar pequenas edições em documentos ou retoque em imagens.

Fonte: http://www.superdownloads.com.br/materias/7008-criando-facilmente-sua-nuvem-pessoal.htm

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http://fabianoflorentino.com/

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Publicado em 8 de julho de 2014, em Aplicativos, Superdownloads e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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