A maior feira de eletrônicos do mundo

“Muito além do que você imagina, desvendamos todos os  detalhes do maior evento de eletrônicos do planeta”

Por dentro da CES 2014

Logo Ces

A primeira coisa que veio à nossa cabeça quando chegamos a Las Vegas foi o tamanho. Tudo é incrivelmente exagerado na cidade: as ruas, os carros, os corredores, os hotéis. Além de muito luxuoso, tudo é muito maior do que qualquer um — que esteja visitando a cidade pela primeira vez — pode sequer imaginar. E essa foi justamente a nossa experiência ao desembarcar na “Cidade do Pecado” pela primeira vez.

E é claro que essa imensidão estende-se aos eventos, principalmente à CES, sigla que deriva de “Consumer Electronics Show” – hoje rebatizada de CES International. Somente para se ter uma ideia, o evento realizado em 2014 contou com uma área de exibição de mais de 185 mil metros quadrados, divididos entre o Las Vegas Convention Center e os diversos hotéis da cidade. Isso equivale a quase 30 campos de futebol apenas de estandes de exibição.

Prédio Las Vegas

Aí está uma curiosidade, inclusive: muitos dos participantes do evento não ficam no centro de convenções; eles preferem expor seus produtos nos quartos dos hotéis da região. É o caso de muitas das empresas que trabalham com equipamentos de áudio, por exemplo. Elas optam por esses ambientes em razão da melhor acústica para demonstração dos seus produtos.

Até mesmo companhias de grande porte, como a ASUS, eventualmente seguem o mesmo esquema. Na edição deste ano, a empresa taiwanesa optou por não montar um estande aberto ao público. Entretanto, apresentou suas novidades para o mercado e para a imprensa em luxuosas suítes do Trump Tower, hotel que leva a assinatura do poderoso empresário Donald Trump.

Todo esse espaço de exibição foi ocupado por 3.200 exibidores, incluindo mais de 150 mil profissionais da indústria de eletrônicos de consumo — desses, mais de 35 mil eram de fora dos Estados Unidos.

Entre eles, mais de 6 mil eram jornalistas ou membros da mídia, que estiveram presentes em mais de 300 conferências realizadas pelas empresas antes e durante a feira.

A CES não é aberta ao público em geral, ou seja, para participar não basta apenas chegar e entrar, como em outros eventos do gênero. A CES aceita apenas membros ligados à indústria da tecnologia. Somente por aí já é possível imaginar as dimensões do evento. Mas isso é apenas o início. A CES é muito mais que uma simples feira de negócios e tecnologia.

Sala de imprensa

Números incríveis da CES

Como Surgiu a CES

A primeira Consumer Electronics Show aconteceu no ano de 1967, na cidade de Nova York. O número total de exibidores era aproximadamente 100, mas figuras conhecidas como LG, Motorola e Philips já estavam presentes para mostrar as principais novidades. O primeiro evento foi uma espécie de derivado do Chicago Music Show.

Nos anos de 1978 a 1994, a CES foi dividida em dois eventos separados, sendo um no inverno e outro no verão. Enquanto a Winter Consumer Electronics Show (WCES) acontecia em Las Vegas no início de janeiro, a Summer Consumer Electronics Show (SCES) acontecia em Chicago. Entre 1995 e 1997, a organização do evento realizou a edição de inverno em Las Vegas com sucesso e tentou continuar com as edições de verão, que acabaram sendo canceladas devido à falta de interesse por parte dos expositores. A situação se manteve até que, em 1998, o evento mudou de formato e passou a ser realizado apenas uma vez por ano em Las Vegas, nos primeiros dias de janeiro, já que essa edição costumava atrair muito mais interesse por parte da indústria.

Foto da primeira CES

Tudo o que você possa imaginar sobre tecnologia

Nesses quase 50 anos de CES, muita coisa interessante já passou por lá. O evento foi palco de lançamentos de produtos icônicos, como o primeiro videocassete doméstico, lançado no ano de 1970. Mas esse não foi o único: Em 1981, o evento trouxe para o mundo o primeiro tocador de CDs. O DVD também surgiu na feira de tecnologia, mais precisamente no ano de 1996, dois anos antes de a primeira TV de alta definição chegar ao mercado.

Estande da Samsung na CES

Falando em televisores, foi no palco da CES que a primeira tela de plasma surgiu para os consumidores, ainda no ano de 2001. Já a primeira tela OLED veio em 2008.

Foi também no palco da CES que o Nintendinho foi apresentado oficialmente nos Estados Unidos, e a tradição de lançar consoles no evento continuou até 2001, quando a Microsoft apresentou o primeiro Xbox. E evento também viu o lançamento — de pouco sucesso — do Apple Pippin, o console da Apple.

Produtos que mudaram o mundo

Como você já deve ter percebido, é natural que a maior parte da atenção sobre a CES acabe recaindo nas grandes empresas. Os novos smartphones da Samsung, as novas telas de TV 4K da Sony ou os novos processadores da Intel e da NVIDIA acabam recebendo boa parte da atenção da imprensa especializada. Contudo, engana-se quem imagina que esses são os únicos produtos apresentados por lá.

O que você encontra na CES

Drones, Androides e Seres Artificiais

Drones, Andróides e Seres Artificiais

Um dos assuntos mais comentados nos eventos de tecnologia, sem sombra de dúvidas, é a robótica. E é claro que esse tipo de coisa não poderia ficar de fora da CES. Quem caminha pelos corredores do Las Vegas Convention Center já está acostumado a cruzar com drones e até mesmo humanoides oferecendo informações sobre os estandes.

Robo Avatar

Nos últimos anos, quem tem chamado muita atenção são os drones controlados por controle remoto. Esses dispositivos estão literalmente por toda parte na CES, seja nos corredores do centro de convenções ou na parte externa do evento — local que também é utilizado para a exposição de produtos.

A principal função desses dispositivos é aproveitar a sua posição privilegiada para filmar ou fotografar locais de difícil acesso. Mas esse tipo de objeto também não é o único: Uma espécie de robozinho — muito simpático, por sinal — que está se tornando muito comum na feira são os limpadores. Se antes eles eram especialistas em limpeza de tapetes e carpetes, agora já existem modelos especializados em limpeza de churrasqueiras e até mesmo de janelas.

A alta tecnologia também tem vez no mundo dos automóveis

Os automóveis sempre foram uma grande paixão de todos, e é claro que eles não poderiam ficar de fora do maior evento de tecnologia do mundo. Afinal de contas, a alta tecnologia e o automobilismo estão sempre lado a lado. Se os carros que dirigem sozinhos chamaram atenção no evento de 2013, em 2014 o que marcou foram as tecnologias embarcadas: a maioria das fabricantes de processadores embarcados anunciaram produtos para transformar os carros de uma vez por todas.

Automóveis na CES

Veículos funcionando com energia limpa já não são um sonho. O palco da CES sempre trouxe inovações nessa área, e um exemplo disso foi o ano de 2011, quando a Ford aproveitou o evento para mostrar ao mundo o novo Focus elétrico. A feira de 2014 marcou a chegada de mais um veículo elétrico da fabricante: o C-Max Energi, veículo híbrido que traz uma série de painéis solares incorporados à capota do automóvel.

A Toyota também é uma empresa que está sempre presente no evento. Este ano, a companhia mostrou um carro movido a células de combustível de hidrogênio que, segundo a companhia, não emitem carbono e devem chegar ao mercado em 2015.

A CES também é o palco de uma série de empresas do ramo automotivo. No evento é fácil encontrar sistemas de motorização avançados, equipamentos de som e uma série de personalizações que dificilmente poderiam ser vistas em outro lugar.

Novas tecnologias

 

Fatos curiosos que já rolaram no evento

Um evento da magnitude da CES não poderia deixar de trazer alguns acidentes e imprevistos. Na última edição (2014), por exemplo, vimos o que aconteceu com Michael Bay, diretor dos filmes da série Transformers. Convidado para falar sobre a nova tela curva da Samsung, ele sobe ao palco — visivelmente nervoso — e começa a falar. Em pouco tempo ele se atrapalha com o teleprompter e se perde no meio do texto. Sem coragem para continuar Michael Bay simplesmente vira as costas e abandona o palco, deixando sozinho o executivo da Samsung, que acabou contornando a situação rapidamente.

Curiosidades na CES

Bill Gates também já passou apuros durante o evento. Em 2005 o fundador da Microsoft apresentava uma nova versão do Windows Media Center no palco da CES quando uma série de falhas começaram a surgir, impedindo a apresentação de continuar conforme o planejado. Logo depois, enquanto outro funcionário da Microsoft tentava mostrar novos recursos, a apresentação foi interrompida mais uma vez, mas desta vez por uma BSOD, a famosa tela azul da morte, deixando o funcionário da empresa completamente desconcertado.

Bill Gates

Apresentar e testar produtos ao vivo nem sempre funciona. Durante a CES 2010, por exemplo, um repórter da BBC testava um celular taxado como “inquebrável”. O próprio CEO da empresa fabricante garantiu que o aparelho era o mais resistente do mundo e ele não poderia ser danificado. Infelizmente — para o dono do produto — o repórter acabou quebrando o telefone “indestrutível”, causando uma situação bastante constrangedora para os dois.

A Intel também já cometeu algumas gafes durante o evento. Em 2012, a companhia apresentava a nova linha de Ultrabooks e queria chamar atenção para o poderio gráfico do novo processador Ivy Bridge. Para isso, o executivo Mooly Eden sentou atrás de um volante e “fingiu” pilotar um carro de corrida no game F1 2011.

A encenação foi desmascarada quando a barra de reprodução na parte inferior da tela denunciou que o jogo era, na verdade, um vídeo em exibição. A Intel até que tentou se explicar, dizendo que a apresentação foi planejada de última hora, o que não evitou que a gafe entrasse para a história da CES.

Estande Samsung

Na CES 2014, enquanto conhecíamos o estande da Samsung, um DJ comandava a música que animava os visitantes, tocando todos os tipos de sons, inclusive o hit “Vai Lacraia”, do MC Serginho — som que fez sucesso no Brasil há alguns anos.

Além de loucuras como essa, não é incomum ver grandes celebridades da música ou do cinema participando dos eventos. A Gibson, por exemplo, trouxe ninguém menos que o ator Christopher Lloyd junto com a máquina do tempo construída a partir de um Delorean, direto da série de filmes “De Volta Para o Futuro”. Tudo isso para comemorar os 120 anos da empresa completados em 2014.

Delorean

Por que grandes empresas como apple e nokia estão fora da ces?

A resposta para essa pergunta é relativamente simples: elas não querem dividir a atenção com outros produtos. A CES deste ano trouxe mais de 20 mil produtos diferentes, entre televisores, smartphones, tablets e droides. Com o curto tempo de duração, é humanamente impossível conhecer (e aprender sobre) todas as novidades disponibilizadas pelos exibidores durante o evento.

Grandes marcas fora da CES

A nossa experiência lá dentro serve para mostrar isso muito bem: não é uma tarefa nada fácil esmiuçar uma área de quase 30 campos de futebol em busca de novidades, principalmente porque a CES não é só um evento de exibição de novos produtos. Lá dentro, a grande maioria de exibidores vai mostrar os seus itens em busca de distribuidores em outros países, e são esses os principais negócios da CES.

Com tanta diversidade, não é à toa que algumas companhias preferem criar eventos exclusivos para apresentar as suas novidades. Microsoft e Apple são duas delas, mas não são as únicas. A Samsung, apesar de participar da feira e sempre ter um dos maiores estandes do evento, prefere lançar os seus aparelhos mais top (como os celulares Galaxy) em eventos exclusivos para não ter que dividir a atenção com outras empresas.

E, de certa forma, não podemos culpá-las por isso. Se fosse lançar um produto, você iria preferir que toda a atenção fosse dispensada a ele ou iria preferir arriscar a sorte junto com outros 20 mil concorrentes?

Entretanto, já vimos na história da feira que, se os produtos são realmente bons, invariavelmente eles acabam se sobressaindo sobre os outros. Será então que essas empresas que decidem não participar do evento não confiam totalmente em suas novidades ou isso é meramente a sua estratégia?

Diversidade de produtos na CES

Eventos como a CES podem estar com seus dias contados?

Esse tipo de comentário pode ser um pouco imprudente de se fazer, até porque arriscar dizer que um evento desse tamanho possa estar com os dias contados parece ser um tanto quanto exagerado — basta olhar para o número de participantes, expositores e o tamanho físico do evento.

Grandes eventos de tecnologia

O que acontece é que, com o passar dos anos, a importância de feiras como a CES diminuiu, mas não necessariamente porque elas ficaram ruins ou sem novidades. É justamente o que já foi dito anteriormente: os maiores players do mercado estão buscando cada vez mais criar os seus próprios eventos para lançar os produtos.

Com isso, a atenção aos grandes lançamentos fica mais dispersa — e mais frequente — o que pode, aparentemente, ofuscar a importância de feiras de negócios como a CES. Entretanto, o mundo da tecnologia está cada vez mais vasto, e se os grandes preferem deixar o evento para o lançamento de produtos periféricos, existe toda uma outra categoria de empresas que aproveita a oportunidade para chamar a atenção do mundo.

A hora e a vez dos pequenos

Se tem uma coisa que chama a atenção na CES é o tamanho de expositores, e se os estandes de Samsung, Sony, LG e companhia chamam a atenção pelo espaço físico e número de produtos, empresas menores impressionam pela quantidade. São centenas de empresas — e até mesmo pessoas comuns — trazendo seus produtos, novidades e invenções para o público. E acredite: são pessoas de 150 nacionalidades diferentes trocando informações. Somente para se ter uma ideia, mais de 140 companhias presentes no evento em 2014 eram startups.

Essas empresas procuram a CES para fazer grandes lançamentos, e um exemplo disso é a Makerbot. A nova-iorquina escolheu a CES 2014 (sua terceira participação no evento) para fazer um dos maiores lançamentos de sua história. A companhia trouxe três novas impressoras 3D para o mercado, além de uma suíte de aplicativos completa. O próprio fundador da empresa, Bre Pettis, subiu ao palco para anunciar a novidade que empolgou todos os presentes.

Makerbot replicator

Outra novidade trazida pelo evento foi o Neptune Pine: o relógio smartphone. O produto começou com uma ideia no Kickstarter, em que conseguiu financiamento para entrar em produção. O gadget chamou a atenção durante o evento e, mesmo que não tenha agradado a todos, é um exemplo de como a CES pode ajudar os desenvolvedores menores a mostrarem a sua força.

O grande número de fabricantes chineses presentes na CES também impressiona quem passa pelos corredores do evento. São milhares de modelos de capas de celulares, carregadores de baterias, adaptadores e quase todo tipo de produto “mais comum” que estamos acostumados a encontrar à venda por aí.

A diferença é que aqui eles não estão apenas vendendo capinhas para smartphones como se fosse uma grande feira livre. O que eles buscam são parcerias comerciais para distribuir os seus produtos nos quatro cantos do mundo.

Pequenas empresas

Aliás, o principal motivo de a CES existir é justamente este: negócios. As empresas não colocam os seus produtos expostos na feira apenas para mostrá-los aos jornalistas. O principal objetivo do evento é a troca de informações e parcerias que as empresas podem fazer umas com as outras. Você quer importar algum produto, mas ainda não sabe exatamente o quê? Tudo bem, a CES pode ser um ótimo ponto de partida.

Além de ter contato com milhares de outros empresários de outros países, é no evento que você encontra alguns dos principais fabricantes do mundo, sejam eles de eletrônicos ou relacionados (como as capinhas de celular, às quais nos referimos antes).

Uma das grandes vantagens disso é o contato com pessoas de diversas nacionalidades. A língua-padrão é o inglês, mas não são raros os momentos em que, em um mesmo local, é possível ouvir diálogos em inglês, espanhol, alemão e chinês.

Muitos brasileiros trabalham no evento, inclusive apresentando produtos, e não é incomum chegar falando inglês em um estande para logo depois descobrir que o representante falava português perfeitamente.

Muito mais do que uma feira, um clube de negócios

Engana-se também quem imagine que o início do ano é o único momento em que representantes da indústria se encontram para conversar sobre as decisões que serão tomadas nos próximos anos. A CES é apenas a ponta do iceberg de uma comunidade que apresenta eventos, palestras, seminários e cursos de capacitação durante o ano todo.

Esse trabalho fica sob a responsabilidade da CEA (Consumer Electronics Association), grupo organizador por trás da CES, formado por mais de 2 mil companhias do ramo da tecnologia que, juntas, compartilham informações de mercado e oportunidades de negócios.

A estrutura oferecida, seja para um profissional individual ou para as grandes indústrias, é de fazer inveja a qualquer país e mostra que não é por acaso que a indústria norte-americana atinge índices recorde de faturamento e produção.

Foto geral da feira

Imagine que você é um engenheiro de software. Por meio do pagamento de uma anuidade – que pode variar entre US$ 300 e US$ 30.000 – você está apto a entrar no mundo de oportunidades oferecido pela CEA ao longo do ano. Os serviços vão desde recolocação no mercado caso você fique sem um emprego até mesmo a palestras, debates, cursos de capacitação, encontros com representantes da indústria e grupos fechados para padronização de elementos tecnológicos, entre outros assuntos.

Por outro lado, se você possui uma startup e está começando agora, a CEA intermedeia a sua chegada ao mercado e também o primeiro contato com grandes empresas. Quer apresentar um projeto para gigantes como Samsung, LG e ASUS? Individualmente talvez a sua pequena empresa tivesse poucas chances de ser recebida, mas a partir dos grupos de negócio você tem a garantia de que representantes dessas companhias vão saber exatamente qual é a sua proposta.

Por fim, para as grandes empresas o CEA acaba tendo outros dois papéis fundamentais. O primeiro deles está na organização de eventos periódicos, separados por temas específicos, que permitem aos grandes discutir novos usos da tecnologia bem como chegar a padronizações e normalizações em elementos industriais. Há um grupo, por exemplo, em que apenas tecnologias wireless são discutidas. Já o segundo – e talvez mais importante nos dias de hoje – é o fato de que os grandes têm acesso antecipado às novidades (que cada vez mais surgem primeiro nas mãos dos pequenos), o que faz com que muitas startups sejam “incorporadas” a grandes grupos já desde cedo.

Conferência na CES

Uma verdadeira torre de babel

Embora por razões óbvias o maior número de expositores acabe sendo de empresas norte-americanas, eles não são os únicos a terem a oportunidade de trazer suas novidades para o público todos os anos na CES. Durante a feira é possível encontrar empresas de todo o mundo, com destaque especial para o mercado asiático.

Alguns países, como é o caso da Alemanha, veem na feira uma oportunidade de fomentar negócios internacionais. O país europeu comprou um grande espaço na CES 2014 – cerca de 30 estandes – e o distribuiu entre empresas alemãs. Com isso, elas têm a oportunidade de exibir as suas tecnologias em outras localidades, ampliando as possibilidades de negócio e fortalecendo as exportações do país.

Mesmo sem tanta organização nesse sentido, os países asiáticos também respondem por boa parte dos estandes das chamadas empresas de pequeno porte. China, Japão e Taiwan juntos levam mais de 300 exibidores para o local todos os anos. Em alguns pontos da feira a organização dos estandes é feita por países, o que faz com que passear pelos corredores da CES se pareça como uma volta ao mundo: uma verdadeira torre de Babel de idiomas em que a língua principal é a tecnologia.

Se é “buyer”, é bom

A CES não é uma feira aberta ao público em geral como você possa imaginar. Quer dizer, uma pessoa comum até pode participar, mas é preciso pagar para ter acesso às áreas em que os estandes estão localizados – os valores iniciais giram em torno de US$ 400. Isso faz com que ela se torne mais “restrita”, digamos assim, aos profissionais do setor.

Visão geral da feira

Todos os participantes são identificados por um crachá de acordo com a sua função. Assim temos os exibidores, que são aqueles que estão trabalhando nos estandes; os engenheiros, que efetivamente trabalham no desenvolvimento das tecnologias; os membros da indústria; os executivos das companhias; além, é claro, da imprensa especializada.

Mas uma outra figura é a que mais chama a atenção e pode ser capaz de “parar tudo” em um estande quando chega por lá. Estamos falando dos “buyers” ou “compradores” em tradução direta. Eles estão na feira justamente para fazer negócios e comprar o direito de produção ou distribuição de novas tecnologias. Para um pequeno proprietário de uma empresa que fabrica espelhos de tomada, por exemplo, encontrar alguém que esteja disposto a comprar o seu produto e distribuí-lo em larga escala é uma das maiores vitórias que a CES pode proporcionar.

Meeting Rooms: Um mundo que a imprensa não vê

Como você pode imaginar, nem todos os negócios podem ser divulgados em um primeiro momento. Existem valores, cláusulas de contrato e até mesmo termos de confidencialidade que não podem ganhar a luz do dia antes de serem amplamente debatidos.

Para aqueles que precisam de privacidade a organização da CES disponibiliza centenas de meeting rooms, salas de reunião em que os encontros entre compradores e vendedores acontecem a portas fechadas. O que se passa por ali ainda não é notícia, mas você pode ter certeza que é dessas reuniões que nascem muitos dos negócios e parcerias que serão revelados ao longo do ano.

O papel da imprensa: O que o tecmundo faz na CES

A maior feira de tecnologia do mundo também atrai olhares de jornalistas de todos os países. Mais de 6 mil membros da imprensa internacional vêm a Las Vegas nos primeiros dias do ano para conhecer de perto quais são as tecnologias que chegarão ao consumidor final nos próximos meses.

O que voce encontra nas malas dos jornalistas

Por isso, a organização da CES coloca à disposição dos jornalistas uma grande sala de imprensa, com capacidade para cerca de 400 pessoas, com internet de alta velocidade e alimentação gratuitas. Nosso trabalho por lá é cansativo mas prazeroso. Nos primeiros dias de evento acontecem as conferências de imprensa, aqueles eventos que vocês acompanham ao vivo no Tecmundo.

Nosso trabalho começa pelo menos uma hora antes, na fila de entrada dos centros de convenções. O objetivo é conseguir o melhor lugar possível na plateia – não há lugares marcados, não há privilégio para nenhum veículo – e também posicionar as nossas câmeras. Chegar atrasado pode significar ficar de fora, já que não há lugar para todo mundo.

Após o evento alguns fabricantes liberam os produtos em uma sala especial para que os jornalistas possam fazer os primeiros “hands-on” e possam mostrar as suas primeiras impressões. São primeiras impressões mesmo, pois muitas vezes temos poucos minutos para ter contato com o novo aparelho, gravar um vídeo sobre ele, tirar fotos e conversar com alguns especialistas a respeito da novidade; tudo isso enquanto disputamos o espaço com outros jornalistas do mundo todo. O resultado disso você já sabe qual é: todo o conteúdo que chega às páginas do Tecmundo.

Nos dias seguintes às conferências, quando acontece a feira propriamente dita, nosso trabalho aumenta. É hora de andar pela feira conhecendo todos os estandes, parando naqueles em que alguma novidade nos chama a atenção e fazendo vídeos e fotos sobre os principais produtos. A feira começa às 9 horas e se estende até as 17 horas.

LG Arc

Depois de um dia cheio capturando material, você pensa que tudo acabou? É claro que não. É hora de escrever os textos, selecionar as fotos e editar os vídeos que vão parar nas páginas do Tecmundo. O trabalho se estende noite adentro durante uma semana intensa, mas recheada de descobertas e novidades que quem de fato é apaixonado por tecnologia não abre mão de jeito nenhum.

CES 2015: O trabalho já começou

A indústria não para, e quando falamos de um evento desse porte obviamente há muito planejamento envolvido. Por isso, ao chegar ao fim da CES 2014, a CES 2015 já entra em pauta no dia seguinte. As datas já estão definidas (será entre os dias 6 e 9 de janeiro de 2015), muitos estandes já estão vendidos e já começa a busca pelas melhores oportunidades de negócio.

Apesar de existir apenas um evento oficial da CES, realizado no início do ano em Las Vegas, existem mini-feiras que acontecem durante o ano todo. Esses eventos são chamados de “CES Unveiled” e trazem um número relativamente pequeno de participantes. A principal diferença é que eles são distribuídos entre diversos locais do mundo, inclusive o Brasil.

Como esses eventos são regionais, o seu conteúdo é trabalhado de acordo com o local em que eles acontecem, com produtos e tecnologias pertinentes ao país em questão. A CES Unveiled está marcada para chegar ao nosso país em setembro de 2014 e será na cidade de São Paulo.

Ao longo de todo o ano, centenas de atividades vão determinar quais serão os rumos da feira em 2015. Não temos bola de cristal — bem que gostaríamos — para prever qual será a tecnologia “sensação” da feira até lá, mas isso é justamente o que move o mercado de tecnologia: a busca incessante por produtos melhores, mais baratos e mais incríveis.

Que seremos surpreendidos novamente, não temos dúvidas. Mesmo para quem trabalha no meio, a capacidade de se encantar com novas ideias a cada dia permanece. Não importa a marca, o fabricante ou o produto. Estar em meio às gigantes da indústria e ver as novas tecnologias nascendo diante dos seus olhos é algo que não tem preço.

cobertura completa CES 2014

Fonte: http://www.tecmundo.com.br/ces-2014/por-dentro-da-ces.htm

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http://fabianoflorenitno.wordpress.com/

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Publicado em 1 de fevereiro de 2014, em TecMundo e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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