Redes sociais “produzem” jornalistas?

Diversos escritores já acham isso

O jornalismo é uma das carreiras mais disputadas nos vestibulares e, segundo a FUVEST (Fundação Universitária para o Vestibular), em 2010 ela foi uma das áreas de maior nota de corte, com 1957 pessoas inscritas para 60 vagas na USP (Universidade de São Paulo). E foi neste contexto que os autores do livro “Jornalismo & Mídias Digitais: um novo papel além das redações” produziram a obra que tem o seu lançamento marcado para o dia 4 de agosto deste ano.
Segundo os escritores (que conta com um time de 11 pessoas, entre gerentes de mídias digitais, jornalistas, mestres da informação, entre outros) não só estes candidatos dos vestibulares, mas todas as pessoas inseridas no mundo virtual já praticam o jornalismo, seja no Facebook, no Twitter, no seu blog ou onde for.
Um dos organizadores do livro, Rafael Louzada, fala que mais do que as redes sociais, a Internet como um todo abriu essa possibilidade quando permitiu que cada um produza o seu conteúdo e publique o seu material. “Agora qualquer pessoa pode produzir textos, imagens e vídeos sobre determinado assunto. E muitas vezes vai fazer um trabalho até melhor do que aquele jornalista tradicional, que está na redação de um grande jornal. Por exemplo, um apaixonado e estudioso de política pode entender os processos, publicar opinião e até entrevistar deputados e senadores com muito mais propriedade do que um jornalista mais generalista. Ele não precisa trabalhar em um grande jornal. Basta escrever em um blog e publicar. Essa lógica vale para blogueiros amadores de futebol, automobilismo, economia, cultura etc”.

Louzada acredita que nesta nossa realidade dos dias de hoje o jornalista tem de estar preparado para esta “concorrência” nas mídias digitais. “Não só no aspecto técnico. Aprender a mexer em blog, Twitter, Facebook, Youtube, entre outros, é relativamente fácil, sempre vai haver um amigo ou o Google pra ajudar. A questão principal é o novo jornalista aprender que o mundo dele vai além da redação, como diz o subtítulo do livro. Mídia é um negócio, sempre foi. Mas os jornalistas demoraram a entender isso. Eles saem da faculdade sabendo muito pouco sobre gestão (necessário para um editor, por exemplo) e visão de negócios e produto. É importante saber minimamente como acontece a relação entre o anunciante e um produtor de conteúdo. Mas isso passa longe dos bancos acadêmicos, infelizmente”.
O que os jornalistas diplomados acham disto?
Adriana Silvestrini, que há 20 anos trabalha com jornalismo, acredita que há conteúdos de blogs e Twitters que realmente possam ser considerados jornalismo, já que existe um cuidado na apuração das notícias e no conteúdo publicado. “Mas ainda acho que são poucos os blogueiros e twitteiros que agem como jornalistas, mesmo porque a maioria não é de formação e nem de experiência. A grande maioria escreve e se expressa sem nenhuma preocupação com o que aquela informação irá repercutir. Para mim, o jornalismo tem de ser útil, ele tem de ter um propósito. Dizer nada a ninguém, não tem sentido”. Ela também compara os profissionais com os amadores e diz que muita gente escreve bem, mesmo não sendo jornalista, e muito jornalista escreve mal. “Então, realmente o jornalismo está passando por uma transformação radical nesses tempos. Mas a essência do jornalista não pode ser perdida, que é o compromisso com a verdade”.
Já a jornalista Aline Sharleny Aprileo, que tem três anos de carreira, discorda de que as redes sociais “sejam” jornalismo. “Não deixa de ser opinião, mas não acho que seja jornalismo, pois a maioria dessas pessoas não possui conhecimentos técnicos para saber de conceitos jornalísticos, como lead, objetividade, responsabilidade, entre outros”. Para ela o jornalista, antes de tudo, é um representante da sociedade. “É ele o responsável de averiguar os fatos para que então possa repassar para o conhecimento do público, com uma linguagem que eles irão entender a mensagem. Jornalista é ser curioso, ser incrédulo, ser desconfiado, é ser um cidadão que pensa no bem-estar do próximo e luta por isso, através da divulgação dos acontecimentos”, finaliza.
Enfim, independentemente das opiniões, uma coisa é certa: escrever com responsabilidade na Internet deve ser primordial, já que mesmo que seja um “mundo aberto”, leitura de qualidade e conteúdo faz bem a todos!

Por Priscilla Silvestre

Fonte: http://www.baboo.com.br/conteudo/modelos/Redes-sociais-produzem-jornalistas_a42391_z345.aspx

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Publicado em 25 de julho de 2011, em Baboo e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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